Investir no capital intelectual e jurídico da empresa pode significar diminuição de perdas diante da crise mundial.
A crise financeira que se iniciou nos EUA contaminando diversos
setores, atingiu a economia mundial e também o Brasil. Para se prevenir
da crise, diante da escassez de créditos e novos negócios, a primeira
medida que muitos empresários tomaram - sem antes realizar uma análise
jurídica - foi a demissão de um grande número de colaboradores.
Em alguns casos, a medida foi tomada sem a preocupação com as
consequências jurídicas de seus atos e sem perceber também que tais
medidas gerariam um aumento no custo, já que é preciso pagar diversos
encargos relacionados à quebra do contrato de trabalho.
Diante de crises econômicas, o posicionamento comum entre os
empresários é interromper novos projetos e quebrar contratos já
existentes. Assim, verifica-se que muitas medidas apressadas são tomadas
sem que haja uma análise detalhada das consequências no campo jurídico
para as empresas.
Como consequência jurídica das medidas aplicadas pelos
empresários no 'calor da crise', sem uma análise sobre os riscos, há um
grande aumento do número de ações judiciais propostas pelos
ex-empregados, fiscalizações e aplicações de multas, o que só resulta em
aumento do passivo trabalhista.
Desta forma, torna-se ainda mais urgente para as empresas,
diante da atual crise econômica que assola o mundo, a aplicação da
advocacia preventiva, a fim de minimizar os efeitos da crise em seus
resultados. Por meio dela, é possível conhecer a fundo a situação
jurídica da empresa como o único modo para que o empresariado consiga
antever, impedir e se prevenir contra pesados passivos ou demandas,
preservando sua empresa e mantendo-a competitiva.
Em especial, na área trabalhista, como medida a longo prazo,
conjuntamente com o Departamento de Recursos Humanos das empresas, é
necessário proceder a uma auditoria, que consiste em realizar um exame
analítico da organização, das rotinas, dos documentos e da aplicação das
leis trabalhistas que poderão prevenir fiscalizações, aplicações de
multas, reclamações trabalhistas, dentre outros.
Em curto prazo, diante da atual crise econômica, podem ser
aplicadas medidas previstas legalmente, desde que fruto de negociações
com os sindicatos, como a concessão de férias coletivas, redução da
jornada de trabalho, concessão de licenças remuneradas. Nestes últimos
meses, percebo que empresas que já possuíam uma assessoria jurídica
atuante e trabalhavam em conjunto com o Departamento de Recursos Humanos
foram aquelas que estavam mais preparadas para buscar soluções rápidas e
eficazes em meio à crise.
Também foram as que conseguiram melhores condições de
negociações com os sindicatos, uma vez que já mantinham com esses uma
maior proximidade. Em outras palavras, o empresário moderno precisa
investir no capital intelectual de sua empresa, na gestão preventiva. O
sucesso da qualidade vai além das ferramentas de trabalho.
Consiste em elementos básicos, tais como o comprometimento da
alta administração, da melhoria contínua, da capacitação e
comprometimento dos colaboradores. A falta de atenção às práticas da
gestão de pessoas é um grande problema para implementação da excelência
na empresa, sendo que, em tempos de crise, pode ser a diferença entre
continuar funcionando ou não.
Neste sentido, conclui-se que a direção da companhia deve ter
uma indicação clara que a transparência e a ética estão acima de todas
as ações na empresa.
Depois, deve desenvolver uma política e colocá-la em
funcionamento da forma adequada. Em terceiro lugar, a empresa deve ter
uma comunicação interna e externa sobre os princípios em que ela
trabalha e ter medidas de controle, de acompanhamento periódico da
implementação disso e uma fiscalização permanente. Enfim, deve adotar a
cultura da advocacia preventiva.
*Advogado, sócio do escritório Gonini Paço, Maximo Patricio e Panzardi Advogados.

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