CNJ cria grupo para aperfeiçoar resolução que trata da Lei Maria da Penha
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
aprovou, nesta terça-feira (15/03), durante a 227ª Sessão Ordinária,
proposta de criação de grupo de trabalho para aperfeiçoar a Resolução
CNJ n. 128/2011, que trata da Lei Maria da Penha e determina a criação
de coordenadorias estaduais das mulheres em situação de violência
doméstica no âmbito dos tribunais. A proposta foi apresentada pela
conselheira Daldice Santana, que citou recente episódio de feminicídio
ocorrido nas dependências da Universidade de Brasília (UnB).
“Já temos a Lei do Feminicídio (Lei n.
13.104/2015), mas precisamos acompanhar mais de perto e tornar mais
visível essa política de enfrentamento à violência doméstica. Ainda que
os recursos humanos e materiais, atualmente, sejam escassos, trazer esse
debate para mais perto é fundamental”, afirmou a conselheira.
Recentemente, dois crimes de feminicídio
chocaram a população de Brasília. Louise Ribeiro, de 20 anos, cursava o
4º semestre de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) e foi morta
pelo colega de curso, Vinícius Neres. Na mesma semana do assassinato de
Louise, um outro feminicídio ocorreu na capital brasileira. Jane Carla
Fernandes, também aos 20 anos, foi assassinada pelo ex-namorado Jhonatan
Pereira Alves que, após o crime, cometeu suicídio. Jane já havia
registrado boletim de ocorrência contra o ex-namorado por agressão na
Delegacia de Especial de Atendimento à Mulher (DEAM).
A violência doméstica contra a mulher
vem sendo discutida pelo CNJ desde 2007. Uma vez ao ano, o Conselho
realiza a Jornada de Trabalhos sobre a Lei Maria da Penha (Lei n.
11.340/2006), que auxiliou na implantação das varas especializadas nos
estados brasileiros. O órgão também possibilitou a criação do Fórum
Permanente de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
(Fonavid), bem como incentivou a uniformização de procedimentos das
varas especializadas em violência doméstica e familiar contra a mulher.
Farão parte do grupo de trabalho os
conselheiros membros da Comissão de Acesso à Justiça, à frente do
Movimento Permanente de Combate à Violência doméstica e familiar:
Daldice Santana, Arnaldo Hossepian e Fernando Mattos. Dentro de 15 dias,
deverá ser encaminhada ao presidente do CNJ, ministro Ricardo
Lewandowski, uma lista de juízes para integrarem o grupo.
O Brasil ocupa a quinta posição no ranking
global de homicídios de mulheres, entre 83 países registrados pela
Organização das Nações Unidas (ONU), atrás apenas de El Salvador,
Colômbia, Guatemala e Rússia.

Comentários
Postar um comentário