Comissão do CNJ discute norma para inclusão de pessoas com deficiência
A definição de regras mais efetivas para
que o Judiciário garanta plena acessibilidade às pessoas com
deficiência foi um dos temas da reunião da Comissão Permanente de
Eficiência Operacional e Gestão de Pessoas do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) realizada na segunda-feira (14/3). A comissão discutiu a
proposta que trata da conversão da Recomendação CNJ n. 27/2009 em
resolução, considerando o início da vigência do Estatuto da Pessoa com
Deficiência em janeiro deste ano (Lei n. 13.146/2015).
Os integrantes da comissão aprofundaram o
debate sobre o assunto com o desembargador do Tribunal Regional do
Trabalho da 9ª Região (TRT9), Ricardo Tadeu. Ele foi o primeiro
magistrado cego do país e integrou a comitiva brasileira que participou
da elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência. O texto foi aprovado pela Organização das Nações Unidas em
2006 e internalizado no Brasil com força constitucional em 2008.
De acordo com o desembargador, embora a
Recomendação n. 27 do CNJ tenha sido um marco importante, é preciso dar
mais publicidade ao tema e efetividade ao cumprimento das regras, o que
seria possível com a conversão da recomendação em resolução. “Com os
textos que agora vigoram no país, a própria recusa da adaptação dos
meios para atender às pessoas com deficiência é uma forma de
discriminação”, pontuou o desembargador.
Ainda segundo o magistrado, o CNJ
precisa de uma resolução que traga as diretrizes para a aplicação do
Estatuto da Pessoa com Deficiência, ainda que cada tribunal tenha
autonomia para analisar como dar efetividade a esses indicativos caso a
caso e com o auxílio de uma comissão local formada por pessoas com e sem
deficiência. “Essas mudanças não ocorrem de uma hora para outra, mas o
Judiciário não pode oferecer barreiras, e aliás temos de ter pressa para
remover essas barreiras”, avaliou o desembargador.
Após o depoimento, o presidente da
Comissão de Eficiência e Gestão do CNJ e relator do procedimento sobre o
tema, conselheiro Norberto Campelo, disse que é importante para o CNJ
ouvir quem vivencia a deficiência no Judiciário e tem experiência
técnica sobre o assunto para sugerir as melhorias necessárias. Os demais
conselheiros concordaram que o tema pode ser tratado em resolução, mas
pediram mais prazo para analisarem a minuta proposta, especialmente nos
itens que abordam prazo e orçamento. A minuta final deverá ser discutida
na próxima reunião, marcada para 30 de março.
Resoluções 34 e 106 –
Outros assuntos tratados foram pareceres em procedimentos sobre uso de
cartões de crédito para pagamento de valores devidos em processos
judiciais e sobre o pagamento por serviço extraordinário a ocupantes de
cargo ou função comissionada. O conselheiro Carlos Eduardo Dias informou
que deve apresentar na próxima reunião proposta para alteração das
resoluções 34 e 106, que tratam sobre exercício do magistério por
magistrados e critérios objetivos para aferição do merecimento para
promoção de magistrados e acesso a tribunais, respectivamente.
A Comissão Permanente de Eficiência
Operacional e Gestão de Pessoas do CNJ é formada pelos conselheiros
Norberto Campelo, Carlos Eduardo Dias, Fernando Mattos, Fabiano
Silveira, Bruno Ronchetti, Emmanoel Campelo e Daldice Santana – os dois
últimos, justificadamente, ausentes. Também tem participado das reuniões
da CPEOGP a desembargadora auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça
Marcia Milanez.
Deborah Zampier
Agência CNJ de Notícias
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