Conheça as principais razões para o fechamento de negócios e veja como evitá-las

 
Olá,
Pode parecer estranho, mas eu sempre fui fascinado pelo fracasso. Afinal, você pode aprender mais com um erro do que com um acerto. Quando vejo algumas matérias na imprensa falando dos motivos pelos quais as empresas falham, acho que existe um foco exagerado em fatores externos (como a macroeconomia e a burocracia de um país).
Por isso, prefiro pesquisas de mortalidade, que dão uma visão mais realista e mostram que os problemas internos são os fatores cruciais. E, em todo o mundo, existem muitas delas explicando as razões para a mortalidade dos negócios.
Para facilitar sua vida, comparei uma série de estudos e ouvi quem pesquisou o assunto para provar por A mais B que os erros e desafios dos empreendedores são os mesmos em qualquer lugar do mundo e que sua própria empresa pode ser a principal responsável pelo seu fim.
É lógico que a má fase de uma economia, como a do Brasil hoje, prejudica, mas sejamos francos: essa não é a primeira crise que enfrentamos, e muitas empresas já sobreviveram a momentos piores. A questão é: qual o motivo para algumas conseguirem e outras não?
Para apresentar respostas, eu conversei com especialistas e mergulhei em pesquisas sobre as principais dificuldades dos empresários e sobre as causas de fechamento de empresas no Brasil, no México, na Colômbia, no Peru, na Argentina, nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Irã e na Austrália.
Então, vamos começar a autópsia porque o assunto é sério. No Brasil, mais da metade (52,5%) das empresas fecha as portas quatro anos após a abertura, de acordo com as informações mais recentes do IBGE, referentes a 2013. É interessante notar que os dados são semelhantes aos dos Estados Unidos – por lá, apenas 50% das empresas sobrevivem após cinco anos, segundo a Small Business Administration (SBA), equivalente ao Sebrae americano.
A ideia não é entrar em detalhes sobre qual segmento tem mortalidade mais baixa – apesar de sabermos que o ramo industrial sobrevive mais do que os segmentos de serviços e varejo, conforme uma pesquisa feita pelo Ibope para o Sebrae-SP que acompanhei de perto no ano passado. Eu quero que você empreenda no setor em que se sentir mais à vontade. Estamos falando de conceitos para se dar bem em qualquer área, por isso, vamos ao primeiro ponto.
Planejamento
Como falamos na newsletter do dia 1º de janeiro, o planejamento é a pedra fundamental para criar uma empresa. Todo o tempo que você “perde” nele é recuperado quando você não tem que corrigir problemas no futuro. Nenhum plano de negócios é perfeito, mas ajuda a tomar decisões e mudar os rumos do negócio quando necessário.
Na minha entrevista com Alexander Osterwalder, criador do quadro para desenvolver e inovar modelos de negócios (Business Model Generator), ele diz que nenhum plano resiste ao contato com o primeiro cliente. Por isso, você deve testar suas ideias em pequena escala com potenciais consumidores. Eu concordo, mas isso não isenta o empreendedor de planejar suas ações.
Infelizmente, muitos empresários abrem o negócio sem um plano. Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) de 2013 indicou que a falta de planejamento e de informações do mercado é a principal causa (42%) do desaparecimento das micro e pequenas empresas brasileiras.
Mas falar sobre falta de planejamento é meio genérico, não? O importante é saber como isso se reflete na prática. Na pesquisa Causa Mortis, divulgada pelo Sebrae-SP em 2014, a falta de lucro e de clientes estava entre os principais motivos apontados para o fechamento das empresas. “Esses são sintomas claros da falta de preparação, pois os empreendedores não se deram ao trabalho de entender o mercado e seu potencial”, diz Marcelo Moreira, coordenador de pesquisas do Sebrae-SP.
Análise realizada em 2015 pelo Failure Institute do México (organização que se dedica a analisar o fracasso empresarial) mostra outro sintoma grave. No quesito “problemas no planejamento”, o principal item apontado pelos empresários mexicanos foi a escolha de um ponto inadequado, seguido por um fraco estudo de mercado, erro na seleção de público-alvo e na precificação.
Enfim, muita coisa já começa pavimentando o futuro fracasso. Imagine descobrir que seu ponto de venda está errado e tentar corrigi-lo com o negócio já em funcionamento. É muito difícil se recuperar dessa…
Como lembra Marcos Hashimoto – um dos autores da análise O Impacto de Capital Humano, Capital Social e Práticas Gerenciais na Sobrevivência de Empresas Nascentes – um erro leva ao outro.
“As empresas fecham por causa da falta de dinheiro. Mas quando você questiona os motivos, entende os porquês. Quem não se planeja só reage ao mercado, perde clientes, desperdiça recursos e faz negócios ruins. É uma bola de neve”, diz.
A solução é fazer perguntas básicas e chaves:
  • – Para quem meu produto/serviço é voltado? Qual seu perfil?
  • – Será que existe demanda suficiente?
  • – Como vou fazer para vender para o cliente?
  • – Qual é o meu modelo de negócios?
Uma boa maneira de começar é usar a ferramenta criada pelo Alexander, sobre a qual expliquei na newsletter do dia 18 de dezembro. Depois disso, parta para os testes com possíveis clientes, mesmo que ofereça seus produtos e serviços de graça. Melhor cometer erros baratos do que perder dinheiro no futuro.

Fonte:http://www.criandoriqueza.com.br/criando-negocios/voce-vai-quebrar-a-empresa-se-nao-ler-isso/?xcode=XCICOS01

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