Dobra número de adoções tardias em Pernambuco no período de dois anos
A adoção de crianças e jovens entre 3 e 17 anos é um dos grandes
desafios da Justiça e de abrigos. Das quase 7 mil crianças disponíveis
para adoção, aproximadamente 6,2 mil encontram-se nesta faixa etária. E
não é por falta de pretendentes. Hoje, existem 35,5 mil no Cadastro
Nacional de Adoção (CNA). Se forem irmãos, então, a dificuldade é ainda
maior. Projetos desenvolvidos pelo Judiciário e por grupos de apoio à
adoção, no entanto, têm conseguido mudar parte do quadro.
Segundo dados da Corregedoria Nacional de Justiça, cresceu em 26,7% o
total de adoções tardias realizadas de 2013 a 2015, passando de 561
para 711. Pernambuco, onde a alta foi de 100%, foi destaque. O estado
foi, em 2015, responsável por 66 adoções de crianças e jovens de 3 a 17
anos, cerca de 10% dos processos realizados nessa faixa etária.
O segredo está no investimento em informação e no estímulo à
aproximação entre os pretendentes à adoção e as crianças que se
encontram disponíveis em abrigos. Hoje, existem cerca de 130 meninos e
meninas disponíveis para adoção em Pernambuco com idade entre 3 e 17
anos. O aumento de adoções tardias é resultado de trabalhos de
conscientização sobre o tema no Judiciário, que foram intensificados a
partir da Lei 12.010/09, conhecida como Lei Nacional de Adoção.
"A adoção tardia é permeada de complexidade, mas a multiplicidade de
iniciativas que vêm sendo implantadas por diversas varas, além das ações
promovidas por grupos de apoio à adoção, tem feito a diferença.
Planejamos, agora, ampliar os serviços de atendimento e preparação de
adotantes em mais comarcas de Pernambuco e isso deve repercutir ainda
mais na qualidade das adoções”, afirmou o coordenador da Infância e
Juventude no estado, desembargador Luiz Carlos Figueiredo.
Preparação - Os pretendentes à adoção passam por
preparação jurídica e psicossocial, sob pena de exclusão do cadastro. As
capacitações começaram a ser realizadas em encontros e cursos nas
diversas comarcas. No Brasil, a Comarca de Recife foi pioneira,
realizando de forma facultativa, ainda em 2002, curso para candidatos à
adoção por meio da 2ª Vara da Infância e da Juventude.
Em paralelo, a Coordenadoria da Infância e Juventude de Pernambuco
finalizava as diretrizes do Projeto Jornadas Pernambucanas dos Direitos
da Infância e da Juventude, implantado em 2010. As jornadas treinam os
servidores das Varas da Infância e da Juventude quanto a atualizações na
Lei 12.010/09, ao uso do CNA e do Sistema Nacional de Atendimento
Socioeducativo (Sinase), dentre outros dispositivos.
Nos encontros, uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos,
assistentes sociais e pedagogos, aborda as principais questões. São
abordados temas como fluxo dos processos de destituição, habilitação e
adoção; funcionamento do CNA; vivências e rotinas no acolhimento;
preparação das crianças para adoção; depoimento de juiz sobre a adoção; e
testemunhos de famílias que adotaram. As principais dúvidas levantadas
pelos pretendentes estão relacionadas ao tempo de espera e quando vai
ocorrer a apresentação das crianças à família.
Fonte: TJPE
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